Tuatara

21/09/2009 at 05:30 (Conservação, Répteis, Sphenodontidae, Vertebrados)

Os Sphenodontidae eram um grupo diversificado durante a Era Mesozoica (251 a 144 milhões de anos), incluindo formas marinhas, arborícolas e terrestres, tanto insetívoras quanto herbívoras. As formas do Triássico (251 milhões de anos) eram pequenas, com comprimento corporal de apenas 15 a 35 centímetros, mas durante os Períodos Jurássico e Cretáceo (206 e 144 milhões de anos, respectivamente) alguns Sphenodontidae chegaram a 1,5 metros de comprimento. A maioria dos Sphenodontidae do Triássico possuía dentes fundidos às maxilas (acrodonte), como no tuatara atual (Sphenodon), mas outras espécies possuíam dentes ligados às maxilas, principalmente por suas superfícies laterais (pleurodonte), como acontece com alguns lagartos.

Sphenodon

Sphenodon

As duas espécies de Sphenodon, conhecidas como tuatara, são os únicos Sphenodontidae atuais (“tuatara” é uma palavra Maori que significa “espinhos nas costas” e não se acrescenta “s” para formar o plural). Os tuatara habitaram, inicialmente, as ilhas do Norte e do Sul da Nova Zelância mas o advento dos humanos e seus associados (gatos, cães, ratos, carneiros e cabras) exterminou-os do continente.
Atualmente, populações são encontradas somente em cerca de 30 pequenas ilhas, ao largo da costa.
Os tuatara têm sido inteiramente protegidos na Nova Zelândia, desde 1895, mas apenas uma espécie, Sphenodon punctatus, foi reconhecida. De fato, existe uma segunda espécie de tuatara, S. guentheri, descrita em 1877. Devido ao fato de Sphenodon guentheri ser muito menos comum que S. punctatus, ele foi esquecido quando as leis de proteção ao tuatara foram escritas. Como resultado disso, S. guentheri não recebeu a proteção especial de que necessitava. A única população sobrevivente de S. guentheri consiste  em um grupo de menos de 300 adultos vivendo em 1,7 hectares de cerrado, no alto de North Brother Island. Esses animais foram considerados pouco importantes, em uma perspectiva conservacionista, se comparados às grandes populações de S. punctatus em algumas outras ilhas. Provavelmente, foi apenas a presença de um farol, ocupado até 1990 por guardas residentes, impedindo invasões a caça ilegal, que salvou o tuatara. A população de S. guenteri de East Island (a única outra população dessa espécie) tornou-se extinta durante este século. Esse exemplo ilustra o papel crucial que a taxonomia tem na conservação – uma espécie precisa ser reconhecida antes que possa ser protegida.

Sphenodon punctatus

Sphenodon punctatus

Sphenodon guentheri

Sphenodon guentheri

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

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Tartarugas Doentes

11/08/2009 at 09:50 (Conservação, Répteis, Testudines, Vertebrados)

O jabuti-do-deserto (Gopherus agassizi) é um dos maiores quelônios terrestres da América do Norte. Sua distribuição geográfica inclui o canto sudoeste de Utah, o terço sudoeste do Arizona, partes adjacentes de Nevada e da Califórnia e se estende para o sul até o México.

Gopherus agassizi

Gopherus agassizi

As populações de jabutis-do-deserto declinaram desde a década de 1950, à medida que a atividade humana invadia o habitat do deserto. Entre 1979 e 1989, a maioria das populações de jabutis do desertos de Mohave e Colorado diminui de 30 a 70 por cento. A situação tornou-se ainda mais grave com o aparecimento da doença das vias respiratórias superiores (DVRS), que ataca os jabutis-do-deserto, muitas vezes com resultados fatais. De início, os quelônios infectados apresentavam corrimento nasal, que se torna progressivamente pior até que os animais exsudam espuma pelas narinas, ofegam ao respirar, param de comer, definham e por fim morrem. Em 1988, os jabutis da Área Natural dos Jabutis-Do-Deserto, no Condado de Kern, Califórnia, apresentaram pela primeira vez os sintomas da DVRS (Jacobson et al., 1991). Em 1989, foram encontrados 627 jabutis mortos e 43 por cento dos jabutis vivos da Área Natural apresentavam sintomas da DVRS.

O defluxo nasal e os olhos inchados são sinais de que este jabuti esta infectado com Mycoplasma, que causa doença das vias respiratórias superiores

O defluxo nasal e os olhos inchados são sinais de que este jabuti esta infectado com Mycoplasma, que causa doença das vias respiratórias superiores

Uma grande quantidade de bactérias foi cultivada a partir dos dutos nasais de tartarugas doentes, incluindo Mycoplasma, que mais tarde foi identificada como o agente causador da doença (Jacobson et al. 1995). Os jabutis-do-deserto são animais de estimação populares no sudoeste  do deserto e um grande número de quelônios domésticos esta infectado por Mycoplasma. A infecção talvex tenha sido introduzida na Área Natural do Jabutis-Do-Deserto quando jabutis de estimação foram soltos, e sua propagação teria se acelerado devido ao mau estado físico dos jabutis selvagens, resultante da degradação do habitat e de uma seca prolongada. As infecções por Mycoplasma são notoriamente de difícil cura. Os jabutis cativos podem ser tratados com uma combinação de antibióticos, mas não há um tratamento prático para os jabutis selvagens.

Mycoplasma

Mycoplasma

A DVRS foi registrada atualmente em uma população de jabutis-toupeira (Gopherus polyphenus) da ilha Sanibel, ao largo da costa da Flórida. Mais uma vez parece que jabutis cativos introduziram a infecçõ na população selvagem: até 1978 soltavam-se na ilha Sanibel os jabutis usados em corridas, os quais, infectados, podem ter carregado consigo a bactéria Mycoplasma.

Gopherus polyphemus

Gopherus polyphemus

Esses exemplos enfatizam o risco de soltar em populações selvagens animais que foram mantidos em cativeiro. Os programas de reprodução em cativeiro devem tomar medidas extraordinárias para garantir que os animais que serão soltos passem por um período de quarentena, em instalações isoladas de outros animais. Uma colônia reprodutiva deveria ser auto-suficiente; uma vez estabelecida, nenhum animal externo deveria entrar ou sair. Mesmo as vestimentas dos tratadores dos animais carregam agentes patogênicos, por isso deve ser providenciado um vestiário onde os tratadores possam se lavar e trocar de roupa ao entrar e sair. Essas precauções exigem tempo e dinheiro, mas pode ser desastroso negligenciá-las.

JACOBSON, E.R. et al. Chronic upper respiratory disease of free-ranging desert tortoises (Xerobates agassizi). Journal of Wildlife Diseases 27:296-316, 1991.

JACOBSON, E.R. et al. Mycoplasma and the desert tortoise (Gopherus agassizii) in Las Vegas Valley, Nevada. Chelonian Conservation and Biology 1:279-284, 1995.

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

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Conservação Dos Testudines

06/08/2009 at 06:14 (Conservação, Répteis, Testudines, Vertebrados)

Muitas espécies de quelônios apresentam baixas taxas de cescimento e requerem longos períodos para atingir a maturidade. Essas são características que predispõem uma espécie ao risco de extinção quando condições variáveis aumentam a mortalidade dos adultos ou eduzem drasticamente a entrada de jovens na população. A situação difícil dos grandes jabutis e das tartarugas marinhas é particularmente séria, em parte porque essas espécies estão entre as maiores e de crescimento mais lento, e também porque outros aspectos de sua biologia as expõem a riscos adicionais.

Uma tartaruga-verde com papilomas cutâneos. Esses tumores, provalvemente causados por um vírus, foram encontrados na maioria das espécies de tartarugas marinhas e em quase todo o mundo (Herbst, 1994). Os tumores crescem até atingir mais de 30 centímetros de diâmetro e aparecem em qualque superfície coberta de pele. São especialmente comuns na conjuntiva dos olhos e podem crescer sobre a córnea. Não foram registrados tumores nas tartarugas-verdes da lagoa Indian River, Flórida, até 1982; mas em 1994 cerca de 50 por cento das tartarugas-verdes estavam afetadas. O primeiro registro de papiloma nas tartarugas-verdes na baía de Kaneohe, Havaí, ocorreu em 1958. Desde 1989, a incidência variou de 49-92 por cento. Os tumores podem ser fatais e o aumento de sua frequência é um desenvolvimento sinistro para espécies já ameaçadas (Herbst, 1994).

Uma tartaruga-verde com papilomas cutâneos. Esses tumores, provalvemente causados por um vírus, foram encontrados na maioria das espécies de tartarugas marinhas e em quase todo o mundo (Herbst, 1994). Os tumores crescem até atingir mais de 30 centímetros de diâmetro e aparecem em qualque superfície coberta de pele. São especialmente comuns na conjuntiva dos olhos e podem crescer sobre a córnea. Não foram registrados tumores nas tartarugas-verdes da lagoa Indian River, Flórida, até 1982; mas em 1994 cerca de 50 por cento das tartarugas-verdes estavam afetadas. O primeiro registro de papiloma nas tartarugas-verdes na baía de Kaneohe, Havaí, ocorreu em 1958. Desde 1989, a incidência variou de 49-92 por cento. Os tumores podem ser fatais e o aumento de sua frequência é um desenvolvimento sinistro para espécies já ameaçadas (Herbst, 1994).

A conservação dos jabutis e das tartaugas marinhas é um assunto de interesse intercional e levou à fundação de uma nova publicação, Chelonian Conservation and Biology.
Os maiores jabutis atuais são encontrados nas ilhas Galápagos e Aldabra. O relativo isolamento dessas massas de terra pequenas e inóspitas (para os humanos) provavelmente tem sido um fator importante para a sobrevivência dos jabutis.  A colonização humana das ilhas trouxe consigo animais domésticos, como cabras e asnos, que competem com os jabutis pelas quantidades limitadas de vegetação que são encontradas nesses habitats áridos, além de cães, gatos e ratos, que predam ovos e filhotes de jabutis.
A distribuição geográfica limitada de um jabuti que ocorre em uma única ilha torna-o vulnerável à extinção. Em 1985, e novamente em 1994, as queimadas na ilha Isabela, no arquipélago de Galápagos, puseram em risco os 20 indivíduos remanescentes de Geochelone guntheri e enfatizaram a vantagem de deslocar alguns ou todos os Testudines até a estação de reprodução operada pela Estação de Pesquisas Charles Darwin, na ilha Santa Cruz. Essa estação bateu recordes de sucessos na reprodução e liberação de outra espécie de jabuti de Galápagos, G. nigra hoodensis, nativa da ilha de Española. No início da década de 1960, apenas 14 indivíduos dessa espécie foram localizados. Todos eram adultos e aparentemente não haviam se reproduzido com sucesso havia muitos anos. Todos os jabutis foram transferidos para a Estação de Pesquisas, onde se produziram os primeiros filhotes em 1971. Em 24 de março de 2000, o milésimo jabuti nascido em cativeiro foi solto em Española. Essa história de sucesso mostra que os programas de reprodução em cativeiro e soltura, cuidadosamente controlados, podem ser um método eficaz de conservação de espécies de Testudines ameaçados. Entretanto, esses programas também trazem riscos inerentes.

Geochelone guntheri

Geochelone guntheri

G. nigra hoodensis

G. nigra hoodensis

Faunas inteirs de quelônios estão ameaçadas em algumas áreas. Quase todas as espécies de quelônios do Sudeste Asiático estão hoje em risco por causa das mudanças econômicas e políticas na região (van Dijk et al., 2000). Na China, os quelônios são tradicionalmente utilizados como alimentação e por seus supostos benefícios medicinais. Uma pesquisa de dois dias em apenas dois entrepostos de alimentos chineses encontrou cerca de 10000 quelônios à venda. Se a rotatividade da mercadoria for de uma semana, numa estimativa conservadora, então aqueles dois entrepostos consumiriam mais de 250000 quelônios po ano. Quando esa tava é extrapolada para todos os entrepostos chineses, a estimativa sobe para 12 milhões de quelônios vendidos por ano somente na China (Altherr e Feyer, 2000).
Os Testudines são animais de vida longa e com baixo índice reprodutivo, e essas são exatamente as características erradas para resistir com sucesso à predação intensa. Bem pouco se conhece sobre a história natural dos Testudines chineses. Na verdade, algumas espécies como Cuora mccordi, só são cientificamente conhecidas a partir de espécimes adquiridos em entrepostos – populações selvagens nunca foram descritas. Talvez essas espécies nunca venham a ser conhecidas em estado selvagem; há vários anos não se vêem espécimes nos entrepostos e é possível que a espécie esteja extinta.

Cuora mccordi

Cuora mccordi

À medida que se esgotam as populações de Testudines na China, esses animais vêm sendo cada vez mais importados de outros países do Sudeste Asiático. Como a China é um país gigantesco e a movimentação interna é restringida, especialmente para estrangeiros, não há dados disponíveis. Registros de Hong-Kong mostram que a importação de Testudines para fins alimentares cresceu de 139200 quilos em 1977 para 1800024 quilos aoenas nos primeiros dez meses de 1994. Estima-se que o Vietnã envie de 1600 a 16000 quilos de Testudines por dia para a China! Não existe qualquer controle efetivo desse tráfico. Espécies protegidas por leis nacionais e convenções internacionais estão incluídas e os Testudines são coletados em reservas naturais.
Embora a China seja considerada o maior “buraco negro” de Testudines (Behler, 2000), ela de modo algum está sozinha. Madagascar é o lar de muitas outras espécies em perigo, inclusive jabutis. Mesmo protegidas por tratados internacionais, essas espécies são contrabandeadas para fora do país em grandes quantidades a fim de serem vendidas como animais de estimação no Japão, na Europa e na América do Norte, onde atingem altos preços. Nos Estados Unidos, as espécies protegidas são coletadas e vendidas ilegalmente como animais de estimação; as espécies que estão em maior perigo de extinção alcançam os preços mais altos. Além disso, todas as espécies de Testudines enfrentam ameaças que vão desde a morte nas estradas e a perda do habitat até servirem de alvo para atiradores quando tomam sol sobre um tronco. Não seria exagero dizer que “os Testudines estão com um terrível problema” (Rhodin, 2000). A crise de conservação dos Testudines é tão séria quanto aquela enfrentada pelos anfíbios.

ALTHERR, A. & FREYER, D. Asian turtles are threatenes by extinction. Turtle and Tortoise Newsletter. Nº 1:7-11, 2000.

BEHLER, J. Letter from the IUCN tortoise and freshwater turtle specialist group. Turtle and Tortoise Newsletter. Nº 1:4-5, 2000.

HERBST, L. H. Fibropapillomatosis of marine turtles. Anual Review of Fish Diseases, 4:389-425, 1994.

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

RHODIN, A. G. Publishers Editorial: Turtle Survival Crisis. Turtle and Tortoise Newsletter. Nº 1:2-3, 2000.

VAN DIJK, P. P. ei al. (eds). Asian turtle trade. Chelonian Research Monographs, Nº2. Lunenburg, MA: Chelonian Research Foundation, 2000.

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Por Que Os Anfíbios Estão Desaparecendo?

05/07/2009 at 17:16 (Anfíbios, Conservação, Vertebrados)

Biólogos de muitos países reuniram-se na Inglaterra, em 1989, no Primeiro Congresso Mundial de Herpetologia. Em umaa semana de apresentações formais de estudos científicos e conversas casuais às refeições e nos corredores, os participantes descobriram que uma poporção alarmantemente grande deles conhecia populações de anfíbios que antes eram abundantes e agora eram raras ou até haviam desaparecido por completo. Acontecimentos que pareciam casos isolados passaram a ser vistos como partes de um padrão global. Como resultado dessa descoberta, David Wake, da Universidade da Califórnia em Berkeley, persuadiu a Academia Nacional de Ciências a convocr um encontro de biólogos preocupados com o desaparecimento dos anfíbios. Biólogos do mundo todo se reuniram no centro da Academia, na costa oeste dos Estados Unidos, em fevereiro de 1990. Todos relataram que populações de Amphibia de seus países estavam desaparecendo, muitas vezes sem qualquer razão aparente. Depois do encontro, um esforço internacional para identificar as causas do declínio dos anfíbios foi iniciado pela “Declining Amphibian Populations Task Force Of  The World Conservation Union (IUCN)” [Força-Tarefa Para Estudar O Declínio Das Populações De Anfíbios, da Comissão Para A Sobrevivência Das Espécies, da União Para A Conservação Mundial]. Outro encontro foi convocado em 1998, dessa vez em Washington, D.C., que reuniu autoridades das mais diversas disciplinas: herpetologia, biologia populacional, toxicologia, doenças infecciosas, mudanças climáticas e políticas científicas. A conferência concluiu que “Há esmagadoras evidências de que nos últimos 15 anos ocorreu um declínio substancial e incomum na abundância e no número das populações em regiões geográficas globalmente distribuídas” (Wake, 1998). Rápidos declínios ocorreram durante os anos de 1950 e 1960 e estão continuando, embora numa taxa de alguma forma mais lenta (Houlanhan et al., 2000).
O declínio global das populações de anfíbios é alarmante, especialmente porque, em muitos casos, não sabemos porque uma espécie desapareceu dos locais onde antes era abundante. Em alguns casos, acontecimentos locais parecem fornecer uma explicação. As alterações do habitat produzidas pelo desmatamento geralmente são destrutivas para os anfíbios, por exemplo, porque os anuros e as salamandras dependem de micro-habitats frios e úmidos no chão da floresta. Quando o dossel da floresta é removido, a luz solar atinge o solo, gerando condições demasiadamente quentes e secas para os anfíbios. Atrazine, um dos herbicidas mais vastamente utilizados na agricultura, é drenado dos campos para os corpos d’água onde anfíbios se reproduzem. A exposição dos girinos de Rana pipens a concentrações de 0,1 parte por milhão produziu feminização: 36 por cento dos machos mostraram retardo no desenvolvimento gonadal e 29 por cento formaram oócitos em seus testículos (Hayes et al., 2002). A mineração e a extração de petróleo também causam danos que se estendem por grandes áreas. As pedras reiradas das minas liberam substâncias químicas ácidas ou tóxicas; o canureto usado para extrair ouro do metal envenena a água de superfície; os poços de petróleo espalham hidrocarbonetos tóxicos; nitratos e nitritos escoam das terras cultivadas e alcançam níveis que causam deformidades e a morte das larvas de anfíbios – a lista é quase interminável.

Rana pipens

Rana pipens

Algumas causas locais da mortalidade de anfíbios não são apenas evidentes: são decididamente ignóbeis. Terras federais do oeste dos Estados Unidos são arrendadas para pastagem e o gado bebe em lagoas que são os sítios reprodutivos dos anuros. O nível das lagoas cai no verão, deixam uma faixa de lama que é atravessada pelo gado em busca de água. As pegadas profundas dos cascos do gado convertem-se em armadilhas mortais para os anuros recém-metamorfoseados que caem nelas e não conseguem sair. Ainda pior, alguns anuros jovens têm o azar de estar passando atrás de uma vaca no momento errado: terminam presos e sufocados numa pilha de estrume fresco!
A meta global para o problema sugere que deveríamos procurar explicações globais (Collins & Storfer, 2003). Quatro fatores que têm provavelmente contribuído para alguns desses declínios são o aquecimento global, a chuva ácida, o aumento na radiação ultra-violeta e doenças.
Populações de anfíbios de altas altitudes, como o sapo-dourado da Costa Rica (Bufo periglenes) que pensa-se estar extinto, parece estar declinando mais rápido mesmo do que a maioria das espécies, e o aquecimento global pode ser uma das razões dessa padrão. Com o clima se tornando mais quente e mais seco nas montanhas da Costa Rica, espécies de aves das planícies moveram-se para cima e espécies de anfíbios declinaram ou desapareceram. Uma análise do efeito do aquecimento global nas florestas montanhosas do Queensland, Austrália, aponta que um acréscimo de somente 1ºC na média anual de temperatura diminuiria o habitat das espécies de altas altitudes em 65 por cento e um acréscimo de 3,5ºC, eliminaria completamente os habitats de aproximadamente metade das 65 espécies de vertebrados endêmicas às montanhas (Williams, 2003).

Bufo periglenes

Bufo periglenes

A precipitação (de chuva, neve e neblina) sobre grandes áreas do mundo, especialmente no Hemisfério Norte, é pelo menos cem vezes mais ácida do que seria se a água estivesse em equilíbrio com o dióxido de carbono no ar. A acidez extra é produzida pelos ácidos nítrico e sulfúrico que se formam quando o vapo d’água se combina com os óxidos de nitrogênio e o enxofre liberados pela queima de combustíveis fósseis. A água das lagoas de reprodução de muitos anfíbios do Hemisfério Norte tornou-se mais ácida nos últimos 50 anos e essa acidez tem efeitos diretos e indiretos sobre os ovos e larvas dos anfíbios. Os embriões de muitas espécies de anuros e salamandras são mortos ou lesados em pH5 ou inferior. As larvas que eclodem podem ser menores que o normal e às vezes possuem estranhas protuberâncias ou torções no corpo. As larvas da salamandra-pintada crescem lentamente na água ácida porque seus esforços para capturar a presa são desajeitados e elas comem menos do que as larvas que vivem em pH mais elevado (Preest, 1993).
Outro fenômeno global é o aumento da quantidade de radiação ultra-violeta que atinge a superfície da Terra como resultado da destruição do ozônio na estratosfera por poluentes químicos. Os efeitos são mais dramáticos nos polos e estão se espalhando para latitudes inferiores, em ambos os hemisférios. A responsabilidade do aumento da radiação ultra-violeta no declínio dos anfíbios é controversa e provavelmente complexa. A luz ultra-violeta, especialmente a faixa UV-B, 280 a 320 nanômetros, mata os ovos e embriões de anfíbios (Blaustein et al., 1994). Nas lagoas das Montanhas Cascade, Óregon, somente 50 a 60 por cento dos ovos de Rana cascadae e Bufo boreas sobreviveram quando expostos à luz solar incidente, porém, quando se colocou sobre os ovos um filtro bloqueador da UV-B, a sobrevivência aumentou para 70 a 85 por cento.

Rana cascadae

Rana cascadae

Bufo boreas

Bufo boreas

Por outro lado, parece que alguns sítios de reprodução não são afetados; talvez o dano causado pela radiação UV-B dependa da interação de diversas variáveis (Licht, 2003). Por exemplo, a presença de vegetação suspensa ou de turvação (partículas sólidas em suspensão na água das lagoas de reprodução) talvez bloqueie a UV-B antes que alcance os ovos dos anfíbios. Do mesmo modo, algumas substâncias químicas dissolvidas absorveriam a luz ultra-violeta, protegendo os ovos dos anfíbios. As espécies de anfíbios diferem na sensibilidade à UV-B e a resistência pode estar relacionada à quantidade de enzima fotoliase (uma enzima que repara os danos ao DNA induzidos pela radiação UV) nos ovos das diferentes espécies.
Em anos recenes, a atenção focalizou o papel das doenças no declínio global dos anfíbios e, em especial, os dois organismos que infetam os anfíbios: iridovírus e o fungo “
chytrid“. Os organismos causadores de doenças e os anfíbios tem coexistido ao longo de toda a existência destes últimos e algumas espécies de anfíbios aparentemente estabeleceram uma relação estável com seus patógenos. Por exemplo, o iridovírus intecta as salamendras de lagoas e parece ter modelado a biologia dessas populações. A salamandra-tigre (Ambystoma tigrinum), do Arizona, tem duas formas larvais: a normal e a canibal, com cabeça e mandíbulas grandes.  Algumas populações são compostas inteiramente da forma normal e em outras, alguns indivíduos se transformam em larvas canibais que comem os indivíduos da forma normal. Um levantamento da ocorrência de ambas as formas, normal e canibal, revelou que a canibal esta ausente em populações infectadas pelo iridovírus, mas ocorre com regularidade em populações sem esse vírus. Aparentemente, em populações livres do vírus é seguro comer outras larvas, mas quando o vírus está presente, a forma canibal se arrisca a infecções se comer as outras larvas de salamandra.

Ambystoma tigrinum

Ambystoma tigrinum

A correspondência entre a presença do iridovírus e a estutura da história de vida das populações de salamendra sugere que essa associação hospedeiro-patógeno é antiga e que a salamandra hospedeira e seu patógeno iridovírus desenvolveram uma relação estável. É provável que essa generalização se aplique a outros anfíbios que servem de hospedeiros ao iridovírus e, ao que parece, provoca flutuações nas populações de anfíbios, mas normalmente não é responsável por extinções.
O fungo “chytrid” talvez seja um novo patógen dos Amphibia e parece estar envolvido na extinção de sítios em locais tão distanciados quanto a América Central e o leste da Austrália. Os chytrids formam um grupo muito difundido de fungos de solo que normalmente infectaa algas, outros fungos, plantas, protozoários e invertebrados. O pimeio relato de infecção de vertebrados por chytrids surgiu em 1998, quando esse fungo foi identificado como a causa provável de morte de anuros na Austrália e América Central. No ano seguinte, chytrids foram identificados em anuros mortos no Zoológico Nacional dos Estados Unidos. Batrachochytrium, o chytridque infecta os anfíbios, possui zoósporos reprodutores móveis que vivem na água e conseguem penetrar na pele dos anfíbios. Quando penetra em um anfíbio, o zoósporo amadurece formando estruturas ramificadas, que se estendem pela pele, e um corpo reprodutor esférico, o zoosporângio. Um único zoósporo amadurece em 4 a 5 dias e se torna um zoosporângio contendo centenas de zoósporos que são liberados na água. As infecções por chytrid não parecem ser letais aos girinos, mas os anuros jovens morrem logo após a metamorfose e os adultos morrem quando são infectados.

Batrachochytrium

Batrachochytrium

O declínio dos Amphibia foi objeto de estudos especiais na América Central e no leste da Austrália, e infecções por chytrid e o declínio dos anfíbios são ambos encontados na mesma área. Na América Central, uma onda de infecção foi detectada na Costa Rica em 1988 e tem se movido para o sul numa taxa de 50 a 100 quilômetros por ano. Na Austrália, uma onda de infecção por chytrid e de declínio populacional de anfíbios talvez esteja movendo-se para o norte através de Queensland e dos Territórios do Norte.

A progressão ao sul da infecção pelo fungo "chytrid" e o declínio e desaparecimento das populações de Anura na América Central

A progressão ao sul da infecção pelo fungo "chytrid" e o declínio e desaparecimento das populações de Anura na América Central

Por que as populações de anfíbios estão repentinamente sucumbindo às infecções por chytrid? Será que os chytrids são novos patógenos dos Amphibia ou algo esta acontecendo com os anfíbios e chytrids que torna as infecções mais letais do que costumavam ser? Estudos em espécimes de museu sugerem que as infecções por chytrids talvez sejam um fenômeno novo, pelo menos em algumas áreas. As mudanças na pele, que acompanham as infecções, podem ser observdas em espécimes de museu e o exame microscópico mostra as estruturas fúngicas características. Anuros coletados há vinte anos não apresentam sinais de chytrids, o que sugere que esse fungo foi introduzido recentemente.
Também os Anura podem ter mudado no passado recente. Os anfíbios possuem um sistema imunológico que normalmente os protege dos patógenos do ambiente, porém o estresse interfere no sistema imunológico dos Vertebrata. Anfíbios estressados por causa da acidez ou da radiação ultra-violeta podem ser suscetíveis a doenças ou parasitas aos quais habitualmente seriam capazes de resistir. Como esses tipos de mecanismo de interação são difíceis de identificar, a National Science Foundation apoia um estudo multidisciplinar que combina esforços de participantes que vão desde biólogos de campo, passando por especialistas em doenças infecciosas até biólogos moleculares. Esse grupo esta envolvido em um programa multianual de estudos campais e laboratoriais para testar ipóteses sobre o papel do iridovírus e do fungo chytrid no declínio dos anfíbios e as interações desses fatores com as mudanças ambientais e as mudanças evolutivas dos organismos patogênicos. Temas ligados à biologia conservacionista rapidamente transcedem os campos específicos de estudo e nossa melhor oportunidade de encontrar soluções para os problemas agudos que afetam muitos tipos de animais esta em agrupar técnicas e perspectivas de um amplo espectro de especialidades biológicas.

COLLINS, J.P. & STORFER, A. Global amphibian declines: Sorting the hypothesis. Diversity and Distributions 9:89-98, 2003

HAYES, T. et al. Feminization of male frogs in the wild. Nature 419:895-896, 2002.

HOULAHAN, J.E. et al. Quantitative evidence for global amphibian population declines. Nature 404:752-755, 2000.

LICHT, L. E. Shedding ligth on ultraviolet radiation and amphibian embryos. Bioscience 53:551-561, 2003.

LIPS, K. R. Decline of a tropical montane amphibian fauna. Conservation Biology 12:106-117, 1998.

LIPS, K. R.  Mass mortality and population declines  of anurans at upland sites in western Panamá. Conservation Biology 13:117-125, 1999.

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

PREEST, M. R. Mechanism of growth rate reduction in acid-exposed larval salamanders, Ambystoma maculatum. Physiological Zoology 66:686-707, 1993.

WAKE, D. B. Action on amphibians. Trends in Ecology and Evolution 13:379-380, 1998.

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16/06/2009 at 12:26 (Conservação, Corais, Invertebrados, Peixes, Vertebrados)

O macho do peixe-mandarim (Synchiropus splendidus, Teleostei, Callionymidae) luta por territórios sobre o topo de recifes de coral de águas rasas no Estreito de Lembeh ao norte das Ilhas Célebes, na Indonésia. Esses locais são favoráveis para as fêmeas desovarem, e os machos que controlam esses territórios desejáveis aumentam suas chances de se reproduzir.

Peixe-mandarim

Peixe-mandarim

As amplas nadadeiras e padrão de colorido dos machos atraem as fêmeas de peixe-mandarim, mas também são atrativos para os aquaristas de todo o mundo. Coleções de peixes-mandarim e outros peixes tropicais e invertebrados voltados para o comércio de aquaristas ameaçam de extinção as populações naturais locais. Soma-se a isso, a destruição acelerada, em escala global, dos habitats de corais de águas rasas associada, diretamente às invasões das populações humanas, e indiretamente ao aquecimento global.

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

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Conservação Relativa aos Peixes de Recifes de Coral

16/06/2009 at 12:13 (Conservação, Corais, Invertebrados, Peixes, Vertebrados)

A evolução e a manutenção da rica fauna Vertebrata dos recifes de corais dependem de muitos fatores, incluindo a preservação das florestas de mangue e das camas de algas adjacentes que fornecem áreas de berçário para os peixes de recife de coral e produção primária que é importada para o recife por meio de correntes ou por peixes migratórios entre esses habitats. A complexa estrutura tridimensional do recife de coral é muito importante. Quando esta estrutura entra em colapso, como no caso de tempestades extremamente fortes ou quando o recife é explorado como rocha calcária para a manufatura de concreto, dinamitado para capturar peixes para o comércio de aquaristas as populações e a diversidade dos peixes desaparecem. O crescimento dos recifes vivos, em toda a extensão da bacia do Caribe tem decaído dos 50 por cento de área recoberta para 10 por cento nas últimas três décadas. Na última década um fenômeno augorento tem sido observado em todo o mundo. Os recifes de corais apresentam sinais de estresse fisiológico e estão morrendo em massa. A causa parece ser temperaturas altas incomuns na superfície dos oceanos. Os animais que constroem o recife sucumbem à exposição prolongada a temperaturas mais altas do que as normais, deixando seus esqueletos mortos expostos aos organismos que os erodem e tempestades que comprometem a estrutura tridimensional do recife. Os corais estressados pelo calor perdem as algas simbiontes que vivem com eles e transformam luz em cor, conduzindo para o termo branqueamento do coral que descreve o fenômeno.

branqueamento de coral

branqueamento de coral

Um período de dois meses de temperaturas excepcionalmente altas, no final do verão de 1998, deixou menos de 5 por cento dos recifes de Belize e da América Central Caribenha cobertos por corais vivos. No Hemisfério Sul, no verão de 1998-1999, o estresse sobre os corais, induzido pelo calor, foi documentado nos recifes internos por toda a Grande Barreira de Corais da Austrália. Em janeiro de 2001 águas quentes não usuais resultaram no pior evento de clareamento de corais já registrado na Grande Barreira de Corais. O clareamento de corais, documentado mundialmente, é um sinal de severo estresse dos corais e pode levar à morte do coral em poucos dias.
Muitas variantes – talvez muitas espécies – de algas parecem estar distribuídas entre as espécies de coral, ou até mesmo em um único indivíduo de coral. Quando a tensão ambiental alcança um limiar para um coral particular e sua variante de alga, o coral branqueia, mas pode, assim, adquirir uma outra variante algal, que confere um maior grau de tolerância ao estresse para o mutualismo coral-alga. Dessa forma, branqueamentos em escalas menores podem ser mecanismos adaptativos para os quais o coral seleciona a melhor variante algal para funcionar so condições ambientais alteradas.
Embora este seja um fenômeno muito recente para que sejam feitas previsões sobre suas consequências, se os recifes, em todo o mundo, entrarem fisicamente em colapso, a maior diversidade de vertebrados na Terra também será destruída. Os recifes cresem vagarosamente. Mesmo quando as condições permitem a regeneração, os recifes podem ser muito modificados em grandes áreas do planeta por décadas ou mais tempo. Se águas aquecidas prevalecerem no futuro, os novos recifes que poderão ser formados em novas águas aquecidas ao norte e ao sul da atual área de ocorrência levarão séculos para amadurecerem e para desenvolverem um estrutura tridimensional complexa. Sem os novos habitats, os organismos de recifes enfrentam a possibilidade de extinção em massa nos próximos anos.  Será o desaparecimento dos recifes de corais e de sua fauna maravilhosa o “grito de alerta” do planeta – o primeiro sinal do aquecimento global?

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

RUPPERT, E. E., FOX, R.S., BARNES, R.D. Zoologia dos Invertebrados – Uma Abordagem Funcional-evolutiva. 7ª Edição, Editora Rocca, São Paulo, 2005.

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Conservação Relativa aos Peixes Marinhos

11/06/2009 at 16:22 (Conservação, Peixes, Vertebrados)

O modo reprodutivo da vasta maioria dos teleósteos marinhos – ovos que são deixados no ambiente sem investimento parental posterior- faz o manejo da pescaria comercial extremamente complexo. Os ovos tendem a ser pequenos, em relação ao tamanho dos peixes adultos, e são produzidos em números prodigiosos. Uma vez que os ovos pelágicos são liberados, muitos eventos determinam quantos deles sobreviverão. Alguns deles sempre são perdidos pela predação de peixes filtradores, mas eventos relacionados ao clima são menos previsíveis. A água muito quente, ou muito fria, pode matar ou interromper o desenvolvimento dos ovos e das larvas. Alterações nas correntes oceânicas, produzidas pela ação do vento e de fenômenos globais, tais como o El Niño/La Nina (aquecimento ou resfriamento das águas do Pacífico central) afetam a abundância de nutrientes e a quantidade de micro-plâncton. Já que tantas variáveis estão envolvidas, o número de indivíduos que se reproduzem em um dado ano (tamanho da reserva reprodutiva) não tem qualquer relação com o número de indivíduos na geração seguinte. Assim, um período de reprodução, rico em adultos reprodutivos, pode produzir poucos descendentes que irão sobreviver até o próximo período, se os fatores ambientais impedirem a sobrevivência dos ovos, das larvas ou dos juvenis. Inversamente, sob condições excepcionalmente favor´veis, alguns poucos adultos reprodutores podem produzir um grande número de descendentes que sobrevivem até a maturidade.
A baixa previsibilidade do tamanho da reserva futura, baseada no tamanho atual, tem sido um grande problema para o gerenciamento efeivo do manejo de pesca. Já que boa parte do tamanho futuro da população depende do ambiente vivenciado pelos ovos e pelas larvas – condições nem sempre óbvias para os pescadores e para os cientistas – é difícil demonstrar os efeitos da pesca excessiva, em seus estágios iniciais, ou os resultados diretos dos esforços de conservação.
Os problemas inerentes no manejo de pesca têm resultado na destruição de populações de peixes de valor comercial e de teias alimentares marinhas inteiras. Muitas das mais ricas companhias pesqueiras estão à beira do colapso.  O Georges Bank, o qual fica a leste do Cabo Cod, é um exemplo do que a pesca excessiva pode causar. Por anos, organizações de conservação pediram por uma redução nas capturas do bacalhau, do linguado-de-cauda-amarela e eglefim. Muitos desses peixes de fundo são pescados, também, não-intencionalmente, por redes preparadas para outras espécies. Os apelos dos conservacionistas não foram atendidos, e as populações destes peixes caíram dramaticamente na década de 1990. Em outubro de 1994, a situação era tão ruim que o governo e um grupo industrial, o Conselho de Gerenciamento da Pesca da Nova Inglaterra, direcionaram suas equipes para criar medidas que reduziriam a pesca de tais espécies a zero. Boa parte do banco de Georges permanece fechada a todos os tipos de pescaria. Assim, milhares de pescadores perderam seus empregos devido a métodos draconianos, tais como a moratória completa sobre as pescarias. Muitos deles levaram seus barcos para outras áreas ricas em peixes, tais como a costa do Atlântico Médio e o Golfo do México, e o processo de destruição irá se repetir nessas áreas. Muitas operadoras pesqueiras menores, algumas delas negócios familiares de gerações, deixaram de funcionar. O governo dos Estados Unidos tem comprado de muitos outros pescadores, e suas licenças de pesca tem sido retiradas. Após uma década de proteção completa, algumas das espécies ameaçadas pela pesca extensiva estão, novamente, no Georges Bank, mas outras não apresentam sinais de recuperação.

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

Bacalhau

Bacalhau

Linguado-de-cauda-amarela

Linguado-de-cauda-amarela

Eglefim

Eglefim

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Conservação relativa aos peixes de água doce

09/06/2009 at 05:45 (Conservação, Peixes, Vertebrados)

Cerca de 40 por cento das espécies de peixes vive nas águas doces do mundo, e todas elas estão ameaçadas pela alteração e poluição de lagos, riios e das corredeiras.  As drenagens, as represas, a canalização e as mudanças dos cursos dos rios criam habitats que não são capazes de sustentar os peixes nativos. Talvez, a mais ameaçada das espécies de peixe seja uma com a menor distribuição dentre os vertebrados. O pequeno Cyprinodon diabolis que vive em um único lago, em uma porção especial do Monumento Nacional do Vale da Morte, ao sul de Nevada. Enquanto seu habitat possui 17 metros por 3 metros de área, esta espécie passa toda a sua vida na superfície, coberta de algas, com somente 18 m² de área. Embora nenhuma outra espécie seja tão limitada em sua distribuição, muitos outros peixes da região estão limitados a um único lago ou nasecente. A atividade humana na região esta ameaçando esta pequena espécie e outros peixes isolados. Fazendeios locais e cidades, tão distantes quanto Las Vegas, estão bombeando água do aquífero que abastece os lagos. A água nos aquíferos é fóssil – ela estava lá desde o final das glaciações do Pleistoceno (1,7 milhão de anos) – e não é reposta pelas chuvas ou pelo derretimento da neve. A retirada de água fóssil é como a do petróleo; o nível cai até que toda a reserva acabe. Os níveis dos lagos estão caindo; e, ao menos que os aquíferos sejam protegidos, o habitat deste pequeno ciprinídeo irá secar e a espécie será extinta.

Cyprinodon diabolis

Cyprinodon diabolis

 Além da perda e da degradação física do habitat do peixe, as águas doces, em boa parte do mundo, estão poluídas por dejetos químicos tóxicos de origem humana. Isso é especialmente verdadeiro para as nações ocidentais e para as regiões urbanizadas. Os Estados Unidos teve, em anos mais recentes, mais de 2400 casos de fechamentos anualmente de praias e rios para o uso humano devido à poluição. Os locais perigosos para a presença de humanos, geralmente, são letais para os organismos que ali vivem! Das quase 800 espécies de peixes nativos de água doce dos Estados Unidos, cerca de 20 por cento são consideradas ameaçadas. Até 85 por cento da fauna de peixes, em alguns estados, esta em perigo, ameaçada ou merece atenção especial. Esses problemas são globais como indicam os dados similares da Austrália. Infelizmente para a maioria das regiões do mundo têm-se poucos registros sobre a biota de água doce para indentificar regiões de situações críticas.

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

UNMACK, P. J. 2001. Biogeography of Australian freshwater fishes. Journal of Biogeography. 28: 1053-1089. 

http://www.peter.unmack.net/biogeog/threat/

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Conservação de peixes

05/06/2009 at 07:44 (Conservação, Genética, Peixes, Vertebrados)

Os peixes enfrentam um conjunto de problemas. Como todos os organismos viventes, os peixes sofrem mudanças em seus habitats causadas diretamente ou indiretamente pelas atividades dos seres humanos. Além disso, espécies que tem fase larval ocupam habitats distintos durante a vida e são vulneráveis às mudanças em seus habitats específicos. Diferente da maioria dos vertebrados, muitos peixes têm extrema importância comercial como alimento e grandes indústrias são estruturadas na captura dos peixes. Outras espécies de peixes são capturadas para o comércio de animais de aquário, algumas vezes, por métodos de coleta que destroem os seus habitats. Como resultado, muitas espécies de peixes que eram até comuns, tem sido levadas à beira da extinção, assim que os seres humanos descobrem novos usos importantes para algumas espécies.
Durante a última década, laboratórios de pesquisa do mundo todo, envolvidos com a biologia do desenvolvimento e a genética tem sido assolados por um peixe com apenas 6 centímetros de comprimento. Vivendo em uma ampla variedade de habitats, o “zebrafish” Danio (Brachydanio) rerio (Ostariophysi: Cyprinidae) é encontrado desde o extremo sul da Índia, próximo a costa leste da Índia, até os rios dos contrafortes a oeste do Himalaia e o interior de Myanmar (Burma) no sudeste asiático. Esse peixe pode ser encontrado em cardumes em pequenos e grandes rios, águas estagnadas, campos alagados de arroz e canais, mas também é abundante nos arroios dos contrafortes das montanhas. Descoberto em 1797 por um médico cirurgião escocês que trabalhava na Companhia das Índias Ocidentais, o “zebrafish” não foi descrito formalmente até 1822 nem exportado vivo para a Europa até 1905. Ele se tornou imediatamente um favorito dos iniciantes da aquariofilia na Europa e América do Norte e mantém-se assim até os dias de hoje. Esse peixe é a espécie do momento que muitos aficcionados de peixes tropicais procuram criar após dominar o guaru, e tornou-se um favorito do recém falecido aquariofilista e geneticista, George Streisinger.

Danio (Brachydanio) rerio

Danio (Brachydanio) rerio

 Steisinger reconheceu o potencial ímpar do “zebrafish” como um modelo laboratorial para a pesquisa genética e do desenvolvimento. A habilidade natural do “zebrafish” de viver sob uma ampla variedade de condições ambientais torna fácil a domesticação em cativeiro. O fato dos adultos terem pequeno tamanho e viverem em cardumes permite manter um grande número de “zebrafish” em espaços pequenos e econômicos. No que diz respeito ele é superior aos outros principais principais modelos de vertebrados: a rã escavadora africana, as galinhas e os camundongos. Essa espécie de peixe procria prodigiosamente, acasalando anualmente devido a sua herança tropical. A fecundação é externa: os óvulos e espermatozoides são liberados na água. Sob condições ideais as fêmeas produzem 100 a 200 óvulos toda semana por período de 10 a 12 semanas ao longo de sua vida reprodutiva normal de dois anos (o maior múmero de óvulos é produzido por fêmeas com a idade entre 7 e 18 meses). Os machos produzem facilmente espermatozoides por volta da décima semana de vida até a morte. Tal fecundidade e modo de vida reprodutivo permitem manipulações genéticas tais como retro-cruzamentos parentais.
O “zebrafish” tem comportamento reprodutivo promíscuo demonstrando pouca seletividade no acasalamento e comportamentos de corte breves, o que permite aos pesquisadores decidir sobre as combinações parentais. É possível coletar óvulos e espermatozoides sem injuriar os adultos. Se os espermatozoides são esterelizados por meio de radiação ultra-violeta pode-se obter embriões haploides contendo apenas o material genético da fêmea. Pulsos de pressão hidrostática ou breve exposição a temperaturas mais altas que o normal podem transformar embriões haploides na fase inicial de desenvolvimento em diploides por meio de interferências na divisão celular, mas sem duplicação cromossômica. Deste modo, é possível obter diploides que contém apenas os genes maternos por meio de procedimentos razoavelmente simples. As mutações também podem ser facilmente prodizidas pela exposição de um oudois pais à substâncias ou radiação. Os genes dessa espécie de peixe podem ser manipulados injetando-se, em embriões com uma única célula, altas doses de DNA marcado com proteínas fluorescentes derivadas de águas vivas ou corais, que irão dar fluorescência às células onde esses genes irão se expressar.
Após a fecundação a característica mais importante do “zebrafish” para os embriologistas torna-se aparente. Diferentemente dos ovos da maioria dos peixes de água doce, os ovos desse peixe são translúcidos (sem pigmentos) e não são adesivos. Os ovos do “zebrafish” são mais densos que a água; na natureza eles são colocados no interior de vegetação densa ou sobre o cascalho do fundo e depende de onde caem, em fendas e entre folhagens, e sendo translúcidos como cristal evitam de serem vistos pelos predadores. Embora muitos peixes tenham ovos claros, muitas dessas espécies são marinhas e os ovos são planctônicos, com flutuabilidade neutra que requerem condições estreitamente determinadas e constantes do mar aberto para se desenvolverem adequadamente. O desenvolvimento do “zebrafish” ocorre no interior de um ovo muito cristalino possível de ser observado em sua totalidade pelo pesquisador, provendo uma oportunidade sem paralelo para observar o desenvolvimento embrionário dos tecidos dos vertebrados em órgãos. Desde o início dos primeiros momentos de desenvolvimento as células possuem pouco pigmento, deste modo a observação direta do desenvolvimento interno pode ser contínua ao longo de muitas semanas.
Zhiyuan Gong da Universidade Nacional de Singapura, tem inserido genes de invertebrados no genoma do “zebrafish” para produzir peixes que respondam a poluentes alterando a sua cor. Os genes promotores que se pode induzir ativam genes para cores fluorescentes na presença de substâncias específicas presentes no ambiente – um gene promotor que se pode induzir por estrógeno responde na presença de estrógeno na água – e um segundo gene promotor que se pode induzir pela resposta ao estresse causado pela presença de metais pesados e outras toxinas (National University of Singapura 2002). Amostras de água podem ser colocadas em tanques com “zebrafish” para ver se esses respondem mudando de cor. Esse ensaio biológico é substancialmente mais rápido e menos dispendioso do que as análises químicas. (Cornwell, 1999). O encanto do entusiasmo sobre o “zebrafish” não esta limitado ao meio científico; um “zebrafish” com um gene para a cor vermelha fluorescente que se expressa permanentemente foi introduzido para o comércio aquarista em 2004 nos Estados Unidos.

CORNWELL, L. 1999. Zebrafish may be toxin detectors. http://www-apps.niehs.nih.gov/centers/Public/news/nws 125.htm

National Univerity of Singapure. 2002. Zebrafish as pollution indicators. http://www.nus.edu.sg/corporate/research/ galery/research12.htm

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

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Hábitos de vida e a Conservação de Tubarões

02/06/2009 at 06:14 (Conservação, Peixes, Vertebrados)

Quaisquer que sejam os comportamentos sociais e modos reprodutivos, os tubarões produzem relativamente poucos descendentes durante a vida de uma única fêmea. Este é um padrão biológico que depende de altas taxas de sobrevivência dos animais jovens e de expectativa de vida longa para os adultos. A fecundação interna e as características dos hábitos de vida que as acompanham evoluíram amplamente nos tubarões há 350 milhões de anos, e tem sido uma estratégia bem sucedida em todo o oceano desde então. Agora, as alterações do habitat e a predação desenfreada, provocada por humanos, ameaçam a sobrevivência de muitas espécies. Embora os tubarões jovens sejam relativamente grandes, quando comparados a outros peixes, eles estão sujeitos a predação, especialmente por outros tubarões. Muitas espécies dependem dos locais de cuidado parental – geralmente águas rasas costeiras, as quais estão mais sujeitas às pertubações e alterações humanas. Além disso, os tubarões adultos estão cada vez mais se tornando presas para os humanos. Uma expansão rápida da pesca comercial e recreativa de tubarões ameaça muitas espécies destes predadores longevos e de reprodução vagarosa.
As pessoas gostam de comer tubarões, sabendo ou não o que estão comendo. O cação bagre (Squalus acanthias) tem sido, por muito tempo, servido como “peixe e batatas fritas”, na Europa, e tem aumentado a sua entrada no mercado de alimentos dos Estados Unidos, na década de 1980. Filés de tubarões mako (cortes de tubarões de dois gêneros, o Isurus e o Lamma) se tornaram uma alternativa ao peixe espada nas prateleiras de frutos do mar dos supermercados americanos. A Europa já observa quedas dramáticas das populações destes tubarões pelos pescadores comerciais. Por exemplo, a Noruega elegeu o Lamma para a pesca intensiva e, inicialmente, coletou 8.060 toneladas, em um único ano, no Atlântico nordeste. Mas em sete anos, os números abaixaram para 207 toneladas e, desde a década de 1970, os noruegueses foram incapazes de capturar mais de 100 toneladas por ano. Apesar de tais histórias, os Estados Unidos não regulamentaram a pesca de tubarões até 1993 e não fez nada para controlar a pesca do cação-bagre até anos atrás. No ano 2000, proibições sazonais de emergência sobre todos os cações-bagre capturados foram implantadas assim que as quotas anuais de pesca eram completadas meses antes da cota anual terminar. A avaliação das pescas anuais padronizadas mostram que, apesar das reclamações sobre o grande número de cações-bagre pescados industrialmente, a biomassa das fêmeas desses cações tem caindo significativamente. Essas mesmas taxas mostram que de 1997 a 2003 os juvenis de cação-bagre tem se tornado raros ou virtualmente ausentes.

Cação-bagre

Cação-bagre

 

Isurus

Isurus

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao mesmo tempo que o consumo doméstico de tubarões aumentava, uma força econômica ainda mais forte explodia no cenário – a exportação das nadadeiras (“barbatanas”) de tubarão para os mercados asiáticos. A sopa de “barbatana” de tubarão, a qual acredita-se ter propriedades medicinais, pode custar US$ 90 ou mais nos restaurantes da Ásia. Nadadeiras (“barbatanas”) secas de tubarão podem custar no atacado de Hong Kong US$ 500 o quilo; nos Estados Unidos, um quilo de nadadeiras frescas é vendiso por US$ 200 ou mais. O sucesso  das economias asiáticas, durante as décadas de 1980 e 1990, criou um mercado quase que ilimitado para as nadadeiras. Porque o restante da carcaça não apresentava o mesmo valor que as nadadeiras, a prática de capturar tubarões, cortar as nadadeiras e descartar o restante do animal, vivo ou morto, de volta ao mar se tornou um fenômeno mundial. Este comércio cruel e de desperdício chegou às águas americanas de forma contundente. Espinhel de linha longa é um método de pesca no qual estendem-se milhares de linhas de alguns metros de comprimento com anzois presos a elas. Na década de 1990 longos espinheis tinham colocado milhões de anzois ao longo da costa leste dos Estados Unidos e do Golfo anualmente (8,8 milhões apenas em 1995). Em 1997, espinheis havaianos capturaram mais de 100.000 tubarões, e descartaram 98,6 por cento da massa coletada. As capturas de tubarões e raias mais do que quadruplicou, chegando a 800.000 toneladas métricas a cada ano ( mais de 70 milhões de tubarões). Não é surpresa que, somente nos Estados Unidos, várias espécies de tubarões vivenciaram reduções populacionais de 50 a 85 por cento (algumas mais de 89 por cento) nos últimos 8 a 15 anos (Baum et al. 2003).

Os Elasmobranchii recebem pouca atenção das instituições que regulam a pesca internacional, e a maioria das nações não têm nenhum manejo efetivo de pescarias. Muitos tubarões comercialmente importantes são pelágicos, migrando por diversas fronteiras políticas e gastam porções significativas de suas vidas em águas internacionais, para as quais não há jurisdição política. Como resultado, medidas efetivas de preservação são difíceis de implementar. No ano de 2000, a House of Representatives norte-americana aprovou uma ampla proibição nacional da pesca de nadadeiras de tubarões, mas antes que a decisão fosse mandada ao Senado, os pescadores estavam montandi suas bases, do Havaí para regiões fora da jurisdição norte-americana. No final de 2003 a Assembleia Geral das Nações Unidas passou uma resolução solicitando as nações que proíbam a retirada de nadadeiras de tubarões. Infelizmente a resolução não inclui qualquer verba para fazer cumprir a proibição.
Devido a suas características biológicas, todos os Elasmobranchii são particularmente suscetíveis ao extermínio pela pesca. Eles crescem vagarosamente, alcançam tardiamente a maturidade sexual, produzem poucos descendentes de cada vez e devido à grande quantidade de energia investida nos jovens, as fêmeas não se reproduzem todo ano. Relativamente poucos indivíduos ocorrem em uma mesma área, exceto talvez, em momentos de reprodução ou devido a agregações sociais. Por exemplo, somente 9 a 14 grandes tubarões brancos foram observados, em um período de 5 anos, nas Ilhas de South Farallon, próximas a São Francisco. Os mesmos indivíduos retornavam a cada outono, quando o número de presas era alto. Quando apenas quatro tubarões brancos foram mortos, próximos a uma colônia de leões marinhos que os atraiu, os ataques sobre leões marinhos e focas caíram pela metade nos dois anos subsequentes. Especialistas no manejo de pesca dizem que há poucas chances das populações de muitas espécies de tubarões se recuperarem em menos de meio século, mesmo com as restrições à pesca.

BAUM, J. K., MYERS, R. A., KEHLER, D. G., WORM, B., HARLEY, S.J. & DOHERTY, P. A. 2003. Collapse and conservation of shark populations in the Northwest Atlantic. Science 299:389-392. 

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

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