16/06/2009 at 12:26 (Conservação, Corais, Invertebrados, Peixes, Vertebrados)

O macho do peixe-mandarim (Synchiropus splendidus, Teleostei, Callionymidae) luta por territórios sobre o topo de recifes de coral de águas rasas no Estreito de Lembeh ao norte das Ilhas Célebes, na Indonésia. Esses locais são favoráveis para as fêmeas desovarem, e os machos que controlam esses territórios desejáveis aumentam suas chances de se reproduzir.

Peixe-mandarim

Peixe-mandarim

As amplas nadadeiras e padrão de colorido dos machos atraem as fêmeas de peixe-mandarim, mas também são atrativos para os aquaristas de todo o mundo. Coleções de peixes-mandarim e outros peixes tropicais e invertebrados voltados para o comércio de aquaristas ameaçam de extinção as populações naturais locais. Soma-se a isso, a destruição acelerada, em escala global, dos habitats de corais de águas rasas associada, diretamente às invasões das populações humanas, e indiretamente ao aquecimento global.

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

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Conservação Relativa aos Peixes de Recifes de Coral

16/06/2009 at 12:13 (Conservação, Corais, Invertebrados, Peixes, Vertebrados)

A evolução e a manutenção da rica fauna Vertebrata dos recifes de corais dependem de muitos fatores, incluindo a preservação das florestas de mangue e das camas de algas adjacentes que fornecem áreas de berçário para os peixes de recife de coral e produção primária que é importada para o recife por meio de correntes ou por peixes migratórios entre esses habitats. A complexa estrutura tridimensional do recife de coral é muito importante. Quando esta estrutura entra em colapso, como no caso de tempestades extremamente fortes ou quando o recife é explorado como rocha calcária para a manufatura de concreto, dinamitado para capturar peixes para o comércio de aquaristas as populações e a diversidade dos peixes desaparecem. O crescimento dos recifes vivos, em toda a extensão da bacia do Caribe tem decaído dos 50 por cento de área recoberta para 10 por cento nas últimas três décadas. Na última década um fenômeno augorento tem sido observado em todo o mundo. Os recifes de corais apresentam sinais de estresse fisiológico e estão morrendo em massa. A causa parece ser temperaturas altas incomuns na superfície dos oceanos. Os animais que constroem o recife sucumbem à exposição prolongada a temperaturas mais altas do que as normais, deixando seus esqueletos mortos expostos aos organismos que os erodem e tempestades que comprometem a estrutura tridimensional do recife. Os corais estressados pelo calor perdem as algas simbiontes que vivem com eles e transformam luz em cor, conduzindo para o termo branqueamento do coral que descreve o fenômeno.

branqueamento de coral

branqueamento de coral

Um período de dois meses de temperaturas excepcionalmente altas, no final do verão de 1998, deixou menos de 5 por cento dos recifes de Belize e da América Central Caribenha cobertos por corais vivos. No Hemisfério Sul, no verão de 1998-1999, o estresse sobre os corais, induzido pelo calor, foi documentado nos recifes internos por toda a Grande Barreira de Corais da Austrália. Em janeiro de 2001 águas quentes não usuais resultaram no pior evento de clareamento de corais já registrado na Grande Barreira de Corais. O clareamento de corais, documentado mundialmente, é um sinal de severo estresse dos corais e pode levar à morte do coral em poucos dias.
Muitas variantes – talvez muitas espécies – de algas parecem estar distribuídas entre as espécies de coral, ou até mesmo em um único indivíduo de coral. Quando a tensão ambiental alcança um limiar para um coral particular e sua variante de alga, o coral branqueia, mas pode, assim, adquirir uma outra variante algal, que confere um maior grau de tolerância ao estresse para o mutualismo coral-alga. Dessa forma, branqueamentos em escalas menores podem ser mecanismos adaptativos para os quais o coral seleciona a melhor variante algal para funcionar so condições ambientais alteradas.
Embora este seja um fenômeno muito recente para que sejam feitas previsões sobre suas consequências, se os recifes, em todo o mundo, entrarem fisicamente em colapso, a maior diversidade de vertebrados na Terra também será destruída. Os recifes cresem vagarosamente. Mesmo quando as condições permitem a regeneração, os recifes podem ser muito modificados em grandes áreas do planeta por décadas ou mais tempo. Se águas aquecidas prevalecerem no futuro, os novos recifes que poderão ser formados em novas águas aquecidas ao norte e ao sul da atual área de ocorrência levarão séculos para amadurecerem e para desenvolverem um estrutura tridimensional complexa. Sem os novos habitats, os organismos de recifes enfrentam a possibilidade de extinção em massa nos próximos anos.  Será o desaparecimento dos recifes de corais e de sua fauna maravilhosa o “grito de alerta” do planeta – o primeiro sinal do aquecimento global?

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

RUPPERT, E. E., FOX, R.S., BARNES, R.D. Zoologia dos Invertebrados – Uma Abordagem Funcional-evolutiva. 7ª Edição, Editora Rocca, São Paulo, 2005.

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Conservação Relativa aos Peixes Marinhos

11/06/2009 at 16:22 (Conservação, Peixes, Vertebrados)

O modo reprodutivo da vasta maioria dos teleósteos marinhos – ovos que são deixados no ambiente sem investimento parental posterior- faz o manejo da pescaria comercial extremamente complexo. Os ovos tendem a ser pequenos, em relação ao tamanho dos peixes adultos, e são produzidos em números prodigiosos. Uma vez que os ovos pelágicos são liberados, muitos eventos determinam quantos deles sobreviverão. Alguns deles sempre são perdidos pela predação de peixes filtradores, mas eventos relacionados ao clima são menos previsíveis. A água muito quente, ou muito fria, pode matar ou interromper o desenvolvimento dos ovos e das larvas. Alterações nas correntes oceânicas, produzidas pela ação do vento e de fenômenos globais, tais como o El Niño/La Nina (aquecimento ou resfriamento das águas do Pacífico central) afetam a abundância de nutrientes e a quantidade de micro-plâncton. Já que tantas variáveis estão envolvidas, o número de indivíduos que se reproduzem em um dado ano (tamanho da reserva reprodutiva) não tem qualquer relação com o número de indivíduos na geração seguinte. Assim, um período de reprodução, rico em adultos reprodutivos, pode produzir poucos descendentes que irão sobreviver até o próximo período, se os fatores ambientais impedirem a sobrevivência dos ovos, das larvas ou dos juvenis. Inversamente, sob condições excepcionalmente favor´veis, alguns poucos adultos reprodutores podem produzir um grande número de descendentes que sobrevivem até a maturidade.
A baixa previsibilidade do tamanho da reserva futura, baseada no tamanho atual, tem sido um grande problema para o gerenciamento efeivo do manejo de pesca. Já que boa parte do tamanho futuro da população depende do ambiente vivenciado pelos ovos e pelas larvas – condições nem sempre óbvias para os pescadores e para os cientistas – é difícil demonstrar os efeitos da pesca excessiva, em seus estágios iniciais, ou os resultados diretos dos esforços de conservação.
Os problemas inerentes no manejo de pesca têm resultado na destruição de populações de peixes de valor comercial e de teias alimentares marinhas inteiras. Muitas das mais ricas companhias pesqueiras estão à beira do colapso.  O Georges Bank, o qual fica a leste do Cabo Cod, é um exemplo do que a pesca excessiva pode causar. Por anos, organizações de conservação pediram por uma redução nas capturas do bacalhau, do linguado-de-cauda-amarela e eglefim. Muitos desses peixes de fundo são pescados, também, não-intencionalmente, por redes preparadas para outras espécies. Os apelos dos conservacionistas não foram atendidos, e as populações destes peixes caíram dramaticamente na década de 1990. Em outubro de 1994, a situação era tão ruim que o governo e um grupo industrial, o Conselho de Gerenciamento da Pesca da Nova Inglaterra, direcionaram suas equipes para criar medidas que reduziriam a pesca de tais espécies a zero. Boa parte do banco de Georges permanece fechada a todos os tipos de pescaria. Assim, milhares de pescadores perderam seus empregos devido a métodos draconianos, tais como a moratória completa sobre as pescarias. Muitos deles levaram seus barcos para outras áreas ricas em peixes, tais como a costa do Atlântico Médio e o Golfo do México, e o processo de destruição irá se repetir nessas áreas. Muitas operadoras pesqueiras menores, algumas delas negócios familiares de gerações, deixaram de funcionar. O governo dos Estados Unidos tem comprado de muitos outros pescadores, e suas licenças de pesca tem sido retiradas. Após uma década de proteção completa, algumas das espécies ameaçadas pela pesca extensiva estão, novamente, no Georges Bank, mas outras não apresentam sinais de recuperação.

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

Bacalhau

Bacalhau

Linguado-de-cauda-amarela

Linguado-de-cauda-amarela

Eglefim

Eglefim

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Conservação relativa aos peixes de água doce

09/06/2009 at 05:45 (Conservação, Peixes, Vertebrados)

Cerca de 40 por cento das espécies de peixes vive nas águas doces do mundo, e todas elas estão ameaçadas pela alteração e poluição de lagos, riios e das corredeiras.  As drenagens, as represas, a canalização e as mudanças dos cursos dos rios criam habitats que não são capazes de sustentar os peixes nativos. Talvez, a mais ameaçada das espécies de peixe seja uma com a menor distribuição dentre os vertebrados. O pequeno Cyprinodon diabolis que vive em um único lago, em uma porção especial do Monumento Nacional do Vale da Morte, ao sul de Nevada. Enquanto seu habitat possui 17 metros por 3 metros de área, esta espécie passa toda a sua vida na superfície, coberta de algas, com somente 18 m² de área. Embora nenhuma outra espécie seja tão limitada em sua distribuição, muitos outros peixes da região estão limitados a um único lago ou nasecente. A atividade humana na região esta ameaçando esta pequena espécie e outros peixes isolados. Fazendeios locais e cidades, tão distantes quanto Las Vegas, estão bombeando água do aquífero que abastece os lagos. A água nos aquíferos é fóssil – ela estava lá desde o final das glaciações do Pleistoceno (1,7 milhão de anos) – e não é reposta pelas chuvas ou pelo derretimento da neve. A retirada de água fóssil é como a do petróleo; o nível cai até que toda a reserva acabe. Os níveis dos lagos estão caindo; e, ao menos que os aquíferos sejam protegidos, o habitat deste pequeno ciprinídeo irá secar e a espécie será extinta.

Cyprinodon diabolis

Cyprinodon diabolis

 Além da perda e da degradação física do habitat do peixe, as águas doces, em boa parte do mundo, estão poluídas por dejetos químicos tóxicos de origem humana. Isso é especialmente verdadeiro para as nações ocidentais e para as regiões urbanizadas. Os Estados Unidos teve, em anos mais recentes, mais de 2400 casos de fechamentos anualmente de praias e rios para o uso humano devido à poluição. Os locais perigosos para a presença de humanos, geralmente, são letais para os organismos que ali vivem! Das quase 800 espécies de peixes nativos de água doce dos Estados Unidos, cerca de 20 por cento são consideradas ameaçadas. Até 85 por cento da fauna de peixes, em alguns estados, esta em perigo, ameaçada ou merece atenção especial. Esses problemas são globais como indicam os dados similares da Austrália. Infelizmente para a maioria das regiões do mundo têm-se poucos registros sobre a biota de água doce para indentificar regiões de situações críticas.

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

UNMACK, P. J. 2001. Biogeography of Australian freshwater fishes. Journal of Biogeography. 28: 1053-1089. 

http://www.peter.unmack.net/biogeog/threat/

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Conservação de peixes

05/06/2009 at 07:44 (Conservação, Genética, Peixes, Vertebrados)

Os peixes enfrentam um conjunto de problemas. Como todos os organismos viventes, os peixes sofrem mudanças em seus habitats causadas diretamente ou indiretamente pelas atividades dos seres humanos. Além disso, espécies que tem fase larval ocupam habitats distintos durante a vida e são vulneráveis às mudanças em seus habitats específicos. Diferente da maioria dos vertebrados, muitos peixes têm extrema importância comercial como alimento e grandes indústrias são estruturadas na captura dos peixes. Outras espécies de peixes são capturadas para o comércio de animais de aquário, algumas vezes, por métodos de coleta que destroem os seus habitats. Como resultado, muitas espécies de peixes que eram até comuns, tem sido levadas à beira da extinção, assim que os seres humanos descobrem novos usos importantes para algumas espécies.
Durante a última década, laboratórios de pesquisa do mundo todo, envolvidos com a biologia do desenvolvimento e a genética tem sido assolados por um peixe com apenas 6 centímetros de comprimento. Vivendo em uma ampla variedade de habitats, o “zebrafish” Danio (Brachydanio) rerio (Ostariophysi: Cyprinidae) é encontrado desde o extremo sul da Índia, próximo a costa leste da Índia, até os rios dos contrafortes a oeste do Himalaia e o interior de Myanmar (Burma) no sudeste asiático. Esse peixe pode ser encontrado em cardumes em pequenos e grandes rios, águas estagnadas, campos alagados de arroz e canais, mas também é abundante nos arroios dos contrafortes das montanhas. Descoberto em 1797 por um médico cirurgião escocês que trabalhava na Companhia das Índias Ocidentais, o “zebrafish” não foi descrito formalmente até 1822 nem exportado vivo para a Europa até 1905. Ele se tornou imediatamente um favorito dos iniciantes da aquariofilia na Europa e América do Norte e mantém-se assim até os dias de hoje. Esse peixe é a espécie do momento que muitos aficcionados de peixes tropicais procuram criar após dominar o guaru, e tornou-se um favorito do recém falecido aquariofilista e geneticista, George Streisinger.

Danio (Brachydanio) rerio

Danio (Brachydanio) rerio

 Steisinger reconheceu o potencial ímpar do “zebrafish” como um modelo laboratorial para a pesquisa genética e do desenvolvimento. A habilidade natural do “zebrafish” de viver sob uma ampla variedade de condições ambientais torna fácil a domesticação em cativeiro. O fato dos adultos terem pequeno tamanho e viverem em cardumes permite manter um grande número de “zebrafish” em espaços pequenos e econômicos. No que diz respeito ele é superior aos outros principais principais modelos de vertebrados: a rã escavadora africana, as galinhas e os camundongos. Essa espécie de peixe procria prodigiosamente, acasalando anualmente devido a sua herança tropical. A fecundação é externa: os óvulos e espermatozoides são liberados na água. Sob condições ideais as fêmeas produzem 100 a 200 óvulos toda semana por período de 10 a 12 semanas ao longo de sua vida reprodutiva normal de dois anos (o maior múmero de óvulos é produzido por fêmeas com a idade entre 7 e 18 meses). Os machos produzem facilmente espermatozoides por volta da décima semana de vida até a morte. Tal fecundidade e modo de vida reprodutivo permitem manipulações genéticas tais como retro-cruzamentos parentais.
O “zebrafish” tem comportamento reprodutivo promíscuo demonstrando pouca seletividade no acasalamento e comportamentos de corte breves, o que permite aos pesquisadores decidir sobre as combinações parentais. É possível coletar óvulos e espermatozoides sem injuriar os adultos. Se os espermatozoides são esterelizados por meio de radiação ultra-violeta pode-se obter embriões haploides contendo apenas o material genético da fêmea. Pulsos de pressão hidrostática ou breve exposição a temperaturas mais altas que o normal podem transformar embriões haploides na fase inicial de desenvolvimento em diploides por meio de interferências na divisão celular, mas sem duplicação cromossômica. Deste modo, é possível obter diploides que contém apenas os genes maternos por meio de procedimentos razoavelmente simples. As mutações também podem ser facilmente prodizidas pela exposição de um oudois pais à substâncias ou radiação. Os genes dessa espécie de peixe podem ser manipulados injetando-se, em embriões com uma única célula, altas doses de DNA marcado com proteínas fluorescentes derivadas de águas vivas ou corais, que irão dar fluorescência às células onde esses genes irão se expressar.
Após a fecundação a característica mais importante do “zebrafish” para os embriologistas torna-se aparente. Diferentemente dos ovos da maioria dos peixes de água doce, os ovos desse peixe são translúcidos (sem pigmentos) e não são adesivos. Os ovos do “zebrafish” são mais densos que a água; na natureza eles são colocados no interior de vegetação densa ou sobre o cascalho do fundo e depende de onde caem, em fendas e entre folhagens, e sendo translúcidos como cristal evitam de serem vistos pelos predadores. Embora muitos peixes tenham ovos claros, muitas dessas espécies são marinhas e os ovos são planctônicos, com flutuabilidade neutra que requerem condições estreitamente determinadas e constantes do mar aberto para se desenvolverem adequadamente. O desenvolvimento do “zebrafish” ocorre no interior de um ovo muito cristalino possível de ser observado em sua totalidade pelo pesquisador, provendo uma oportunidade sem paralelo para observar o desenvolvimento embrionário dos tecidos dos vertebrados em órgãos. Desde o início dos primeiros momentos de desenvolvimento as células possuem pouco pigmento, deste modo a observação direta do desenvolvimento interno pode ser contínua ao longo de muitas semanas.
Zhiyuan Gong da Universidade Nacional de Singapura, tem inserido genes de invertebrados no genoma do “zebrafish” para produzir peixes que respondam a poluentes alterando a sua cor. Os genes promotores que se pode induzir ativam genes para cores fluorescentes na presença de substâncias específicas presentes no ambiente – um gene promotor que se pode induzir por estrógeno responde na presença de estrógeno na água – e um segundo gene promotor que se pode induzir pela resposta ao estresse causado pela presença de metais pesados e outras toxinas (National University of Singapura 2002). Amostras de água podem ser colocadas em tanques com “zebrafish” para ver se esses respondem mudando de cor. Esse ensaio biológico é substancialmente mais rápido e menos dispendioso do que as análises químicas. (Cornwell, 1999). O encanto do entusiasmo sobre o “zebrafish” não esta limitado ao meio científico; um “zebrafish” com um gene para a cor vermelha fluorescente que se expressa permanentemente foi introduzido para o comércio aquarista em 2004 nos Estados Unidos.

CORNWELL, L. 1999. Zebrafish may be toxin detectors. http://www-apps.niehs.nih.gov/centers/Public/news/nws 125.htm

National Univerity of Singapure. 2002. Zebrafish as pollution indicators. http://www.nus.edu.sg/corporate/research/ galery/research12.htm

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

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Hábitos de vida e a Conservação de Tubarões

02/06/2009 at 06:14 (Conservação, Peixes, Vertebrados)

Quaisquer que sejam os comportamentos sociais e modos reprodutivos, os tubarões produzem relativamente poucos descendentes durante a vida de uma única fêmea. Este é um padrão biológico que depende de altas taxas de sobrevivência dos animais jovens e de expectativa de vida longa para os adultos. A fecundação interna e as características dos hábitos de vida que as acompanham evoluíram amplamente nos tubarões há 350 milhões de anos, e tem sido uma estratégia bem sucedida em todo o oceano desde então. Agora, as alterações do habitat e a predação desenfreada, provocada por humanos, ameaçam a sobrevivência de muitas espécies. Embora os tubarões jovens sejam relativamente grandes, quando comparados a outros peixes, eles estão sujeitos a predação, especialmente por outros tubarões. Muitas espécies dependem dos locais de cuidado parental – geralmente águas rasas costeiras, as quais estão mais sujeitas às pertubações e alterações humanas. Além disso, os tubarões adultos estão cada vez mais se tornando presas para os humanos. Uma expansão rápida da pesca comercial e recreativa de tubarões ameaça muitas espécies destes predadores longevos e de reprodução vagarosa.
As pessoas gostam de comer tubarões, sabendo ou não o que estão comendo. O cação bagre (Squalus acanthias) tem sido, por muito tempo, servido como “peixe e batatas fritas”, na Europa, e tem aumentado a sua entrada no mercado de alimentos dos Estados Unidos, na década de 1980. Filés de tubarões mako (cortes de tubarões de dois gêneros, o Isurus e o Lamma) se tornaram uma alternativa ao peixe espada nas prateleiras de frutos do mar dos supermercados americanos. A Europa já observa quedas dramáticas das populações destes tubarões pelos pescadores comerciais. Por exemplo, a Noruega elegeu o Lamma para a pesca intensiva e, inicialmente, coletou 8.060 toneladas, em um único ano, no Atlântico nordeste. Mas em sete anos, os números abaixaram para 207 toneladas e, desde a década de 1970, os noruegueses foram incapazes de capturar mais de 100 toneladas por ano. Apesar de tais histórias, os Estados Unidos não regulamentaram a pesca de tubarões até 1993 e não fez nada para controlar a pesca do cação-bagre até anos atrás. No ano 2000, proibições sazonais de emergência sobre todos os cações-bagre capturados foram implantadas assim que as quotas anuais de pesca eram completadas meses antes da cota anual terminar. A avaliação das pescas anuais padronizadas mostram que, apesar das reclamações sobre o grande número de cações-bagre pescados industrialmente, a biomassa das fêmeas desses cações tem caindo significativamente. Essas mesmas taxas mostram que de 1997 a 2003 os juvenis de cação-bagre tem se tornado raros ou virtualmente ausentes.

Cação-bagre

Cação-bagre

 

Isurus

Isurus

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao mesmo tempo que o consumo doméstico de tubarões aumentava, uma força econômica ainda mais forte explodia no cenário – a exportação das nadadeiras (“barbatanas”) de tubarão para os mercados asiáticos. A sopa de “barbatana” de tubarão, a qual acredita-se ter propriedades medicinais, pode custar US$ 90 ou mais nos restaurantes da Ásia. Nadadeiras (“barbatanas”) secas de tubarão podem custar no atacado de Hong Kong US$ 500 o quilo; nos Estados Unidos, um quilo de nadadeiras frescas é vendiso por US$ 200 ou mais. O sucesso  das economias asiáticas, durante as décadas de 1980 e 1990, criou um mercado quase que ilimitado para as nadadeiras. Porque o restante da carcaça não apresentava o mesmo valor que as nadadeiras, a prática de capturar tubarões, cortar as nadadeiras e descartar o restante do animal, vivo ou morto, de volta ao mar se tornou um fenômeno mundial. Este comércio cruel e de desperdício chegou às águas americanas de forma contundente. Espinhel de linha longa é um método de pesca no qual estendem-se milhares de linhas de alguns metros de comprimento com anzois presos a elas. Na década de 1990 longos espinheis tinham colocado milhões de anzois ao longo da costa leste dos Estados Unidos e do Golfo anualmente (8,8 milhões apenas em 1995). Em 1997, espinheis havaianos capturaram mais de 100.000 tubarões, e descartaram 98,6 por cento da massa coletada. As capturas de tubarões e raias mais do que quadruplicou, chegando a 800.000 toneladas métricas a cada ano ( mais de 70 milhões de tubarões). Não é surpresa que, somente nos Estados Unidos, várias espécies de tubarões vivenciaram reduções populacionais de 50 a 85 por cento (algumas mais de 89 por cento) nos últimos 8 a 15 anos (Baum et al. 2003).

Os Elasmobranchii recebem pouca atenção das instituições que regulam a pesca internacional, e a maioria das nações não têm nenhum manejo efetivo de pescarias. Muitos tubarões comercialmente importantes são pelágicos, migrando por diversas fronteiras políticas e gastam porções significativas de suas vidas em águas internacionais, para as quais não há jurisdição política. Como resultado, medidas efetivas de preservação são difíceis de implementar. No ano de 2000, a House of Representatives norte-americana aprovou uma ampla proibição nacional da pesca de nadadeiras de tubarões, mas antes que a decisão fosse mandada ao Senado, os pescadores estavam montandi suas bases, do Havaí para regiões fora da jurisdição norte-americana. No final de 2003 a Assembleia Geral das Nações Unidas passou uma resolução solicitando as nações que proíbam a retirada de nadadeiras de tubarões. Infelizmente a resolução não inclui qualquer verba para fazer cumprir a proibição.
Devido a suas características biológicas, todos os Elasmobranchii são particularmente suscetíveis ao extermínio pela pesca. Eles crescem vagarosamente, alcançam tardiamente a maturidade sexual, produzem poucos descendentes de cada vez e devido à grande quantidade de energia investida nos jovens, as fêmeas não se reproduzem todo ano. Relativamente poucos indivíduos ocorrem em uma mesma área, exceto talvez, em momentos de reprodução ou devido a agregações sociais. Por exemplo, somente 9 a 14 grandes tubarões brancos foram observados, em um período de 5 anos, nas Ilhas de South Farallon, próximas a São Francisco. Os mesmos indivíduos retornavam a cada outono, quando o número de presas era alto. Quando apenas quatro tubarões brancos foram mortos, próximos a uma colônia de leões marinhos que os atraiu, os ataques sobre leões marinhos e focas caíram pela metade nos dois anos subsequentes. Especialistas no manejo de pesca dizem que há poucas chances das populações de muitas espécies de tubarões se recuperarem em menos de meio século, mesmo com as restrições à pesca.

BAUM, J. K., MYERS, R. A., KEHLER, D. G., WORM, B., HARLEY, S.J. & DOHERTY, P. A. 2003. Collapse and conservation of shark populations in the Northwest Atlantic. Science 299:389-392. 

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

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Lampreias

01/06/2009 at 15:13 (Conservação, Peixes, Vertebrados)

Durante os últimos 100 anos, o homem e as lampreias têm estado cada vez mais em disputa. Embora a lampreia marinha, Petromyzon marinus, pareça ter sido endêmica do Lago Ontário, ela foi desconhecida nos outros Grandes Lagos da América do Norte até 1921. O rio St. Lawrence – fluindo do Lago Ontário para o Oceano Atlântico – não constituiu uma barreira para a colonização por lampreias marinhas e os rios e riachos que deságuam no Lago Ontário mantiveram populações cercadas por terra. Durante suas migrações reprodutivas, as lampreias transpõem quedas d’água rastejando lentamente para cima com o auxílio de sua boca sugadora, mas os 50 metros das Cataratas de Niágara (entre o Lago Ontário e o Lago Eire) são demais até mesmo para as lampreias mais apaixonadas. Mesmo depois que o Canal Welland conectou os Lagos Eire e Ontário em 1829, as lampreias não invadiram imediatamente o Lago Eire; levou um século para que as lampreias se estabelecessem na bacia drenada por esse lago.

Petromyzon marinus

Petromyzon marinus

  De 1920 a 1950, as lampreias dispersaram-se rapidamente por toda a bacia dos Grandes Lagos. O fato surpreendente não é o de invadir as partes superiores dos Grandes Lagos, mas sim que levaram tanto tempo para iniciar a invasão. No entanto, uma vez alcançada a extremidade superior do Lago Eire, as lampreias conseguiram rápido acesso para os outros lagos. Lá elas encontraram condições adequadas e, por volta de 1946, habitavam todos os Grandes Lagos. As lampreias foram capazes de se dispersar sem restrições até que os interesses esportivos e comerciais se alarmaram com a redução do número de indivíduos de espécies economicamente importantes de peixes, tais como a truta, o bacalhau de água doce e a pescada branca de água doce. Lamprecidas químicos assim como barreiras elétricas e mecânicas têm sido empregados para promover a queda das populações de lampreias dos Grandes Lagos aos níveis atuais. Embora as populações de grandes peixes, incluindo os de valor comercial, estejam se recuperando, nunca será possível descuidar destas medidas contra as lampreias. O manejo incorreto (ou a falta de manejo inicial) das lampreias tem contribuído para a diminuição da pesca nos Grandes Lagos. É mais uma das centenas de histórias recentes da vida dos Vertebrata na qual a falha humana em compreender e avaliar o entrosamento natural da biologia de nossos parentes mais próximos tem levado a mudanças graves em nosso ambiente. A introdução de espécies exóticas (= não indígenas) é a principal causa de declínio, em todo o mundo, de muitas espécies de vertebrados, especialmente nos habitats aquáticos.

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição. Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

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