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Qualquer revisão da biologia dos vertebrados deve incluir uma consideração do efeito da atual dominância de uma espécie, o Homo sapiens,  sobre os outros membros do clado. Nunca antes na história da Terra, uma única espécie afetou tão profundamente a abundância e, até mesmo, os prospectos da sobrevivência de outras espécies.

homo-sapiens

Parte da influência dos humanos deriva do tamanho de nossa população – mais de 6 bilhões, com projeções de 8,9 bilhões para 2050 – e de nossa distribuição global. Mas outras espécies de vertebrados nos sobrepõem em número e algumas chegam próximas à nossa distribuição geográfica. Avanços da tecnologia, iniciada há 2,5 milhões de anos, é o que separa os humanos, no que diz respeito à possibilidade de utilização de recursos. Mesmo sociedades humanas primitivas utilizam mais recursos do que as demais espécies de animais. A extração e o consumo de energia e de outros recursos, pelas sociedades humanas, têm impacto global, desde derramamento de óleo, contaminações do solo e da água com metais pesados até a perda de habitats selvagens para a agricultura e urbanização. O uso de energia per capita praticamente triplicou desde 1850, e a maioria desse aumento ocorreu nas últimas décadas. As sociedades mais altamente industrializadas têm as mais altas taxas per capita de consumo de energia e de outros recursos.  Os Estados Unidos, por exemplo, têm 5 por cento da população humana e é responsável por cerca de 25 por cento do consumo mundial de recursos. As nações desenvolvidas economicamente, como um grupo, têm 20 por cento da população do mundo e são responsáveis por 60 por cento do consumo de recursos. Sociedades com altas taxas de consumo, correspondentemente, têm uma alta produção de gases do efeito estufa e de detritos. Entretanto, sociedades menos desenvolvidas tecnologicamente não são mais benignas ecologicamente. Elas apresentam problemas especiais conforme o crescimento das populações humanas se dá sobre áreas que, até então, não haviam sido tocadas. Nações ricas, ao menos, têm os recursos para controlar a poluição e para proteger habitats, tais como parques nacionais, monumentos e reservas selvagens. Sociedades mais pobres lutam diariamente por suas necessidades mínimas, tornando, compreensivelmente, a conservação um luxo além de seus alcances. O processo mais incisivo que afeta a relação entre os humanos e outros vertebrados é a dispersão dos valores da cultura ocidental, os quais enfatizam as possessões materiais e, dessa maneira, aumentam a demanda dos consumidores por produtos, expandindo a extensão geográfica das sociedades de alto impacto.
Tendemos assumir que o estado natural do ambiente é o mesmo desde sempre, mas evidências fósseis nos mostram que os humanos criaram impactos enormes sobre as faunas de vertebrados, desde muito antes da invenção da escrita, há mais de 5.000 anos. A extinção dos vertebrados, devida à ação dos humanos, se iniciou há cerca de 50.000 anos, na Austrália, e tem se acelerado desde então. O estudo científico dos vertebrados data de apenas algumas centenas de anos, mas ele, também, está se acelerando rapidamente. Informações sobre a biologia dos vertebrados podem ser utilizadas para identificar causas de declínios e de extinções populacionais e, possivelmente, para previnir a extinção de algumas espécies que já se encontram em perigo.

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição. Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

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