Conservação de peixes

05/06/2009 at 07:44 (Conservação, Genética, Peixes, Vertebrados)

Os peixes enfrentam um conjunto de problemas. Como todos os organismos viventes, os peixes sofrem mudanças em seus habitats causadas diretamente ou indiretamente pelas atividades dos seres humanos. Além disso, espécies que tem fase larval ocupam habitats distintos durante a vida e são vulneráveis às mudanças em seus habitats específicos. Diferente da maioria dos vertebrados, muitos peixes têm extrema importância comercial como alimento e grandes indústrias são estruturadas na captura dos peixes. Outras espécies de peixes são capturadas para o comércio de animais de aquário, algumas vezes, por métodos de coleta que destroem os seus habitats. Como resultado, muitas espécies de peixes que eram até comuns, tem sido levadas à beira da extinção, assim que os seres humanos descobrem novos usos importantes para algumas espécies.
Durante a última década, laboratórios de pesquisa do mundo todo, envolvidos com a biologia do desenvolvimento e a genética tem sido assolados por um peixe com apenas 6 centímetros de comprimento. Vivendo em uma ampla variedade de habitats, o “zebrafish” Danio (Brachydanio) rerio (Ostariophysi: Cyprinidae) é encontrado desde o extremo sul da Índia, próximo a costa leste da Índia, até os rios dos contrafortes a oeste do Himalaia e o interior de Myanmar (Burma) no sudeste asiático. Esse peixe pode ser encontrado em cardumes em pequenos e grandes rios, águas estagnadas, campos alagados de arroz e canais, mas também é abundante nos arroios dos contrafortes das montanhas. Descoberto em 1797 por um médico cirurgião escocês que trabalhava na Companhia das Índias Ocidentais, o “zebrafish” não foi descrito formalmente até 1822 nem exportado vivo para a Europa até 1905. Ele se tornou imediatamente um favorito dos iniciantes da aquariofilia na Europa e América do Norte e mantém-se assim até os dias de hoje. Esse peixe é a espécie do momento que muitos aficcionados de peixes tropicais procuram criar após dominar o guaru, e tornou-se um favorito do recém falecido aquariofilista e geneticista, George Streisinger.

Danio (Brachydanio) rerio

Danio (Brachydanio) rerio

 Steisinger reconheceu o potencial ímpar do “zebrafish” como um modelo laboratorial para a pesquisa genética e do desenvolvimento. A habilidade natural do “zebrafish” de viver sob uma ampla variedade de condições ambientais torna fácil a domesticação em cativeiro. O fato dos adultos terem pequeno tamanho e viverem em cardumes permite manter um grande número de “zebrafish” em espaços pequenos e econômicos. No que diz respeito ele é superior aos outros principais principais modelos de vertebrados: a rã escavadora africana, as galinhas e os camundongos. Essa espécie de peixe procria prodigiosamente, acasalando anualmente devido a sua herança tropical. A fecundação é externa: os óvulos e espermatozoides são liberados na água. Sob condições ideais as fêmeas produzem 100 a 200 óvulos toda semana por período de 10 a 12 semanas ao longo de sua vida reprodutiva normal de dois anos (o maior múmero de óvulos é produzido por fêmeas com a idade entre 7 e 18 meses). Os machos produzem facilmente espermatozoides por volta da décima semana de vida até a morte. Tal fecundidade e modo de vida reprodutivo permitem manipulações genéticas tais como retro-cruzamentos parentais.
O “zebrafish” tem comportamento reprodutivo promíscuo demonstrando pouca seletividade no acasalamento e comportamentos de corte breves, o que permite aos pesquisadores decidir sobre as combinações parentais. É possível coletar óvulos e espermatozoides sem injuriar os adultos. Se os espermatozoides são esterelizados por meio de radiação ultra-violeta pode-se obter embriões haploides contendo apenas o material genético da fêmea. Pulsos de pressão hidrostática ou breve exposição a temperaturas mais altas que o normal podem transformar embriões haploides na fase inicial de desenvolvimento em diploides por meio de interferências na divisão celular, mas sem duplicação cromossômica. Deste modo, é possível obter diploides que contém apenas os genes maternos por meio de procedimentos razoavelmente simples. As mutações também podem ser facilmente prodizidas pela exposição de um oudois pais à substâncias ou radiação. Os genes dessa espécie de peixe podem ser manipulados injetando-se, em embriões com uma única célula, altas doses de DNA marcado com proteínas fluorescentes derivadas de águas vivas ou corais, que irão dar fluorescência às células onde esses genes irão se expressar.
Após a fecundação a característica mais importante do “zebrafish” para os embriologistas torna-se aparente. Diferentemente dos ovos da maioria dos peixes de água doce, os ovos desse peixe são translúcidos (sem pigmentos) e não são adesivos. Os ovos do “zebrafish” são mais densos que a água; na natureza eles são colocados no interior de vegetação densa ou sobre o cascalho do fundo e depende de onde caem, em fendas e entre folhagens, e sendo translúcidos como cristal evitam de serem vistos pelos predadores. Embora muitos peixes tenham ovos claros, muitas dessas espécies são marinhas e os ovos são planctônicos, com flutuabilidade neutra que requerem condições estreitamente determinadas e constantes do mar aberto para se desenvolverem adequadamente. O desenvolvimento do “zebrafish” ocorre no interior de um ovo muito cristalino possível de ser observado em sua totalidade pelo pesquisador, provendo uma oportunidade sem paralelo para observar o desenvolvimento embrionário dos tecidos dos vertebrados em órgãos. Desde o início dos primeiros momentos de desenvolvimento as células possuem pouco pigmento, deste modo a observação direta do desenvolvimento interno pode ser contínua ao longo de muitas semanas.
Zhiyuan Gong da Universidade Nacional de Singapura, tem inserido genes de invertebrados no genoma do “zebrafish” para produzir peixes que respondam a poluentes alterando a sua cor. Os genes promotores que se pode induzir ativam genes para cores fluorescentes na presença de substâncias específicas presentes no ambiente – um gene promotor que se pode induzir por estrógeno responde na presença de estrógeno na água – e um segundo gene promotor que se pode induzir pela resposta ao estresse causado pela presença de metais pesados e outras toxinas (National University of Singapura 2002). Amostras de água podem ser colocadas em tanques com “zebrafish” para ver se esses respondem mudando de cor. Esse ensaio biológico é substancialmente mais rápido e menos dispendioso do que as análises químicas. (Cornwell, 1999). O encanto do entusiasmo sobre o “zebrafish” não esta limitado ao meio científico; um “zebrafish” com um gene para a cor vermelha fluorescente que se expressa permanentemente foi introduzido para o comércio aquarista em 2004 nos Estados Unidos.

CORNWELL, L. 1999. Zebrafish may be toxin detectors. http://www-apps.niehs.nih.gov/centers/Public/news/nws 125.htm

National Univerity of Singapure. 2002. Zebrafish as pollution indicators. http://www.nus.edu.sg/corporate/research/ galery/research12.htm

POUGH, H. F., JANIS, C. M. & HEISER, J. B. A Vida Dos Vertebrados 4ª Edição, Atheneu Editora, São Paulo, 2008.

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1 Comentário

  1. daniel said,

    PUTZ…

    EU SABIA QUE O DANIO ERA O PEIXE, DE COMPORTAMENTO AUDAZ, ATIVO SUPORTOU A UMA BACTERIA NO MEU AQUA QUE ACABOU COM 18 OUTROS PEIXES… SE HOUVER UM HOLOCAUSTO NUCLEAR, SOBRARAM DANIOS E BARATAS!

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